terça-feira, 2 de junho de 2015

[notas do celular, 25.01.2015]

Há uma cumplicidade estranha e gostosa em se compartilhar momentos profundamente seus com estranhos.

Do ônibus que demora a chegar e se percebe que vocês, plenamente desconhecidos, se impacientam esperando o mesmo destino.
Do filme que se vê até os final dos créditos com um ou outro que seguem religiosamente essa tradição.
Do cigarro que mal se podia esperar para aliviar a ansiedade mutuamente vivida, mesmo que alheia às razões do outro.
Dos livros que se lêem e  em tudo isso aquela troca de olhares desconsertada de quem se surpreende com a semelhança.

Acidentalmente há uma graça muito bem montada nessa coisa toda de se encontrar no outro.

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