sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

seria o latejar da cabeça uma maneira internalizada de esmurrar qualquer coisa?
já começo a encarar essa história de "uns nas mãos dos outros" como antiquada, démodé, digna de ser guardada numa caixa de papelão qualquer. digna de ficar embaixo das outras caixas, amassar, empoeirar, estragar...
está estragada mesmo.
é difícil remar sem fé. que absurdo que é exigir que se reme em direção a ela: a fé morreu faz tempo.
ou está muito doente. já perdeu todo o brilho, sabe?
deixe-me ser criança mais uma vez. minhas referências sempre se recheiam das histórias infantis - e isso era uma coincidência que gerava sorrisos. agora, não geram nada simplesmente porque nem mesmo são ouvidas.
a história é de todos bem conhecida. você lembra das injusta luta entre a criança e todos aqueles adultos. lembra do primeiro vôo, de todos os meninos que sobreviviam por conta própria, dos resgates... lembra de como a fúria e os ciúmes podem dominar um coração tremendamente pequeno, e que isso é capaz de quase atingir outro coração com uma flecha - ah, pobre Wendy. mas e quando o brilho a criatura por trás de todas essas coisas esmaeceu, alguém lembra o sentimento de angústia? alguém sentiu junto o desolamento de quando acabou-se a fé, a magia, a luz?
alguém ainda sente frio mesmo em plena luz do dia? alguém percebe o quanto o mundo está apagado desde que ela se foi - porque a do lado de cá se foi. ninguém disse que acreditava.

as palavras bonitas, as palavras saídas diretamente das raízes do peito... se perderam. não há mais caminho.
se não há fé, luz, caminho ou calor, por que diabos continuar com a ideia de "uns nas mãos dos outros"? insistência em juntar pedaços de algo que já perdeu o uso. algo que, como dito, já se estragou. não há.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

na beleza fria de Maria...

tua ausência ecoa.

quero continuar lembrando do teu rosto. da tua voz.

domingo, 3 de novembro de 2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Anjo dos pesadelos...
Ainda.
Sombra dos passos. Sombra no canto do meu sorriso, ainda.
Ainda me assombra quando me forço a lembrar do antes. O gosto de casa nunca mais voltou. Desaprendi o caminho, e, concluo eu, deixei de ter um.
Parece que ainda há uma espera por socorro. Pela constância e segurança pretéritas. As coisas no lugar.

Mas há a mudança.
Mudança - reforma - tudo que couber no peito para costurá-lo. Trilho estradas que agora também são minhas, mas sem moradia.
Viajante que sou - ainda que, por hora, só de alma - passeio sem rumo. Deito a cabeça e por vezes nem lembro Teu nome. O coração aquietou. Aceitou.
O travesseiro é que às vezes sussura a sombra de um sentimento (porque as memórias se enterraram muito fundo para serem resgatadas), e é esse sentimento que quase me faz te chamar.


Me conta uma história.
Me dá a paz de ter minha mente nas tuas mãos.

É, ainda...

Eu poderia fazer riscos na parede para cada vez que você volta.
Porque você não é nada ainda, e também não faz parte.
Mas você volta.
É sutil, eu sei.
Grudamos em um esbarro, uma conexão sobrenaturalmente leve e boa.
Só que toda noite, por mais estrelada que esteja, se depara com a imposição da aurora.
Mas você volta.
Você volta.
Altivo, mas volta. O coração endureceu no baque, eu vejo. Nem sempre é fácil encontrar o sorriso de criança e o olhar de mel quando teu corpo e fala são todos braços cruzados.


Cabe ao copo a culpa ou a desculpa?
Indecisão, medo, comodidade... Não sei que nome te dou.
Sei que você volta. Eu permaneço.
E a gente se encontra.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

escolheu café frio.
maltado.

encontrou a música que tocava em sua cabeça.
"depois"
era essa a palavra que lhe cortava a mente. que fazia os pensamentos ficarem mais frios.
inimizade com o tempo. 
o passado brigou com a memória, aprendeu a ir deixando pra trás. ir largando.
se largando.

o presente não passa de letargia.

lethargy. 
λήθη
esquecimento
ἀργός
inacção

futuro. a continuação dessa constante de estar morrendo desde a primeira respiração. de ser tudo tão facilmente deteriorável. o tempo perdido.

sábado, 11 de maio de 2013

porque mais forte que a certeza de que esse café me aquece, é a certeza de que a qualquer momento ele pode faltar.
não quero repetir o ciclo.
a abstinência já deu sua lição... cair de novo é como dizer que a aula foi inútil e sempre será.
mas não foi.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

som de cavalos.
a constante vontade de ir embora.
da chuva que não foi embora.
dos sentimentos que voltam com ela.

onde já se viu, menina, melancolia que apraz?

domingo, 21 de abril de 2013


Caixinha de música. 
É mais uma vez sobre você, pequena. 
Quero mais chá. 
As histórias não contadas e as esquecidas.
Cair de novo.

Corre com o tempo, contra o tempo, atrás do tempo, foge dele...
Correndo o máximo que puder pra ficar no mesmo lugar.