domingo, 16 de março de 2014

she said im really not supposed to, but, yes.

viu que estava começando a entrar. 
que involuntariamente estava revisitando aqueles cômodos que trancou sem nem mesmo arrumar.
as camisetas estavam ganhando um cheiro novo - ainda que não tão querido quanto o anterior, mas assim mesmo importante. assim mesmo permanente.
permanente? erro. essa palavra foi subtraída do vocabulário e por essa razão há algo de muito errado nesse visitante. ele não pede pra entrar, mas segura sua mão todas as noites. 
e é o mesmo. há um risco tremendo em se acostumar com o seu rosto. o risco de querê-lo perto mesmo durante a manhã. de querê-lo perto enquanto se vive, e não só enquanto distrai-se. 
risco tremendo.

não se deu conta, mas ainda assim fugiu. fugiu do que poderia vir a se um desejo muito grande. 
ao fugir, causou aquele pequeno desmoronamento. uma barreira entre ambos que dificilmente seria transpassada, considerando que não haviam ainda construído entre si algo forte o bastante para querer transpassá-la. talvez tenha se aproveitado disso: aproveitou o que ainda não havia para garantir que nada viesse a ser.
considerando a inexistência, o saldo fora positivo. é a segurança de se manter e sobreviver só.
considerando o que já havia brotado... bem, ela prefere agora esquecer o quão bonito pareceu aquele pequeno germinar. prefere esquecer porque já jogou fora. jogou fora um bom início por medo de se emaranhar a ele no meio da história. 

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